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A regra 50+1 deve cair para estimular a competitividade da Bundesliga? Entenda mais sobre a polêmica

Por Vitor Rawet
@vitor_rawet

O que diferencia o Campeonato Alemão das outras principais ligas do mundo? Você pode dizer que é a alta média de gols, os estádios sempre lotados ou o celeiro de talentos que hoje faz da Alemanha a atual campeã mundial. Nada disso está errado. Porém, na minha visão, a principal distinção que pode ser apontada como uma particularidade única da Bundesliga é a famosa regra 50+1.

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A regra define que mais de 50% dos ativos de um clube não esteja nas mãos de uma única pessoa ou empresa, não permitindo assim que um investidor externo possa controlá-lo e tomar decisões à revelia dos outros sócios. Em outras palavras, a maioria do capital (50% dos votos mais um) terá de permanecer sempre nas mãos do próprio clube.


No entanto, a regra permite que caso um clube tenha um investimento por parte de uma empresa por mais de 20 anos de maneira ininterrupta com um montante mínimo de capital, essa empresa poderá ter mais de 50% do capital do clube. São exatamente os casos de Bayer Leverkusen (Bayer), Wolfsburg (Wolkswagen) e Hoffenheim (SAP). Há ainda a situação do RB Leipzig, que através de inúmeras manobras conseguiu se adequar à regra mas que na prática é controlada pela Red Bull.

Entre outros motivos, a discussão do fim dessa imposição entra em voga pelo fato de recentemente mais um time pedir exceção. Trata-se do Hannover 96, na figura de seu principal empresário, Martin Kind. Desde 1997 como presidente e investidor da equipe da Baixa Saxônia, Kind requereu à DFL (entidade que regula a Bundesliga) que tenha mais de 50% das ações do Hannover. Por hora, esse direito lhe foi negado já que a DFL alegou que o atual presidente não investiu o necessário para assumir majoritariamente o clube.

O que dizem os clubes?

Nesta semana, o jornal Bild fez uma consulta aos clubes da primeira divisão para saber o que eles acham da situação como um todo. Schalke, Colônia, Mainz, Frankfurt, Hertha Berlim, Hamburgo, RB Leipzig, Bayern de Munique, Werder Bremen, Bayer Leverkusen, Augsburg e Hannover se disseram a favor de, no mínimo, uma reforma na regra, justamente indo na linha das argumentações acima.

"Nós desejamos uma solução que garanta a integridade da competição. Assim o Schalke estaria aberto a uma reforma", disse o gerente dos Azuis-Reais Christian Heidel. Michael Preetz, dirigente do Hertha Berlim segue a mesma linha: "Basicamente a regra 50+1 se mostrou eficaz. Nós acreditamos que cada clube deve decidir por si próprio como lidar com a questão".

Apenas três clubes foram explicitamente contra uma mudança na regra - Dortmund, Gladbach e Freiburg. O representante do time da Floresta Negra, Jochen Sachen, afirma que "o espírito dessa regra faz muito bem à cultura do futebol alemão. É valido lutar por isso". Hoffenheim, Wolfsburg e Stuttgart não se pronunciaram. 

A resistência das torcidas

Diferente das torcidas no Brasil, as organizadas alemãs (os chamados ultras) são bastante engajados politicamente. A maioria delas conta com membros filiados a partidos políticos e obviamente fazem questão de participar da política interna do clube. Muitos deles são sócios com direito a voto.

No geral, valorizam bastante a cultura de torcer, marcando forte presença em jogos fora de casa e indo contra a chamada "modernização do futebol". Protestos contra decisões da DFL são constantes, como no caso de colocar jogos nas segundas-feiras à noite ou fazer um show de celebridade à lá Superbowl no meio da final da Copa da Alemanha.

Outro exemplo é que mesmo com a venda dos naming rights dos estádios de quase todos os times, os seus torcedores continuam chamando as praças esportivas pelos seus nomes originais. Para a famosa Muralha Amarela, o Signal Iduna Park continua sendo o Westfalenstadion.

Portanto, é de se imaginar que sejam contra qualquer mudança na regra dos 50+1, tendo como base justamente a ideia colocada pelo diretor do Freiburg mencionado acima. O ódio a Leverkusen, Wolfsburg, Hoffenheim e Leipzig é latente por serem considerados "times de empresa" na visão desses torcedores ultras (é importante ressaltar que cada time aqui tem a sua especificidade, mas isso é assunto pra outro texto). O que não faltam são faixas nos estádios exigindo a manutenção da regra para o futuro.

Na já citada tentativa de Martin Kind de assumir o Hannover, os ultras até mesmo estão exercendo um boicote contra o atual mandatário. Apesar de irem ao estádio, ficam em silêncio durante os jogos e estendem a suas faixas de "Fora Kind".

2 comentários:

  1. Seria interessante a manutenção da regra pois garante parte do equilíbrio que vemos na média da Bundesliga. Claro que existe a supremacia do Bayern, mas penso que poderia haver algum mecanismos para o aumento de receita, sem que haja a possibilidade de comercialização desenfreada dos clubes, como vemos por exemplo na Inglaterra, que tem um campeonato mais chamativo, mas tem uma bolha perigosa de investimentos estrangeiros.

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    1. Problema que na Inglaterra não tem controle fiscal e pode esperar uma hora a bomba vai estourar para todo lado

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