Frankfurt ainda depende demais de Burkardt? O que a temporada revela na briga europeia
Jonathan Burkardt voltou aos gramados diante do Bayern depois de mais de dois meses afastado e, mesmo tendo perdido 12 rodadas, continua como principal goleador do Eintracht Frankfurt na Bundesliga 2025/26. O dado chama atenção não apenas pela eficiência do atacante, mas pelo cenário que ele revela: a equipe produziu menos do que precisava no período em que esteve sem sua principal referência ofensiva.
Durante a ausência do camisa 9, o Frankfurt oscilou na tabela e viu a distância para o bloco da Champions League variar rodada a rodada. A chegada de Younes Ebnoutalib e Arnaud Kalimuendo na janela de inverno parecia indicar uma tentativa clara de dividir responsabilidades no setor ofensivo, mas problemas físicos impediram sequência e estabilidade. O resultado foi um time que manteve organização tática razoável, porém com dificuldade para transformar volume em gols.
Burkardt não representa apenas finalização. Ele oferece profundidade, puxa marcação e cria espaço para infiltrações, algo que ficou evidente contra o Bayern, quando mesmo sem ritmo ideal participou da construção e apareceu com inteligência nos momentos decisivos.
O efeito da mudança no comando
Albert Riera assumiu em um momento que exigia equilíbrio imediato. O Frankfurt precisava se manter na briga europeia sem descaracterizar o modelo que vinha sustentando a campanha. Desde a troca no comando, a equipe passou a compactar mais as linhas e acelerar a transição ofensiva, buscando intensidade maior na reação após a perda da bola.
Esse ajuste ficou perceptível no segundo tempo contra o Bayern. O time conseguiu pressionar mais alto e reduziu a exposição defensiva, ainda que o resultado não tenha sido favorável. O pênalti convertido por Burkardt mostrou eficiência, mas a chance desperdiçada minutos antes reforçou que o ritmo de jogo ainda está sendo retomado.
Riera tenta consolidar um sistema que dependa menos de ações individuais isoladas e mais de padrão coletivo, mas a consolidação desse modelo passa necessariamente pela capacidade de o ataque manter produção constante.
Uma tabela mais apertada do que parece
A disputa por vagas na Champions League e na Europa League permanece aberta. Bayern e Bayer Leverkusen sustentam regularidade superior, enquanto Borussia Dortmund e RB Leipzig alternam bons e maus momentos, o que mantém a parte intermediária da classificação comprimida.
O Frankfurt circula nesse bloco e sabe que duas rodadas podem alterar completamente o panorama. A diferença de pontos entre as posições europeias e o meio da tabela não oferece margem para queda prolongada de rendimento. Em um campeonato tão equilibrado, depender excessivamente de um único jogador amplia o risco, porque a temporada é definida por sequência, não por picos isolados.
Esse contexto também influencia a forma como cada confronto é analisado fora de campo. Desempenho recente, retorno de atletas lesionados e ajustes táticos passam a pesar nas projeções semanais, inclusive no acompanhamento das apostas na Bundesliga, onde fatores como momento da equipe e consistência defensiva costumam ser determinantes na leitura de favoritismo.
O que a reta final vai exigir
A Bundesliga entra na fase em que confrontos diretos ganham peso maior. O Frankfurt ainda terá jogos contra adversários que disputam o mesmo objetivo europeu, e nessas partidas eficiência nas áreas tende a ser decisiva.
Com Burkardt disponível, a equipe ganha presença dentro da área, melhora o aproveitamento em bolas paradas e amplia alternativas de infiltração. Sem ele em condição plena, o desafio aumenta. A participação dos pontas, a chegada dos meias e a capacidade de sustentar intensidade ao longo dos noventa minutos deixam de ser complemento e passam a ser necessidade.
O modelo de Riera ainda está em construção. Compactação consistente, ocupação equilibrada dos espaços e reação rápida após perda de posse são aspectos que evoluem com repetição e confiança. Enquanto esses mecanismos não atingirem estabilidade total, qualquer oscilação individual tende a ter impacto ampliado na pontuação.
Mais do que um artilheiro
Burkardt simboliza a eficiência ofensiva do Frankfurt, mas a campanha europeia não pode ficar condicionada apenas ao seu rendimento. A diferença entre permanecer na disputa ou perder contato com o grupo da frente provavelmente estará na capacidade de manter padrão competitivo independentemente da condição física do principal goleador.
A Bundesliga 2025/26 se encaminha para um desfecho definido por regularidade e consistência. Para o Frankfurt, a questão não é apenas contar com o retorno de seu artilheiro, mas provar que o elenco consegue sustentar o nível quando a pressão aumenta e cada ponto passa a ter peso acumulado na corrida continental.














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