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Mario Götze abre o coração e fala sobre depressão, medos, doença, ser herói, ser vilão, Klopp e Guardiola

O meia-atacante Mario Götze concedeu uma entrevista bastante esclarecedora ao site "The Players Tribune", contando um pouco sobre sua carreira desde o início, passando pelo título da Copa do Mundo pela seleção alemã, além de suas passagens por Bayern de Munique e Borussia Dortmund.

Götze falou também de assuntos delicados, como depressão, sua doença e contou um episódio de medo, com sua família em risco.


Confira abaixo os principais trechos da entrevista:

A ida do BVB para o Bayern


Foi a decisão mais difícil da minha vida. O Bayern tentou me contratar no ano anterior, decidi não ir, mas quando Pep Guardiola se tornou o novo treinador, fui contatado novamente, não sabia o que fazer. Senti que jogar com Pep realmente me desafiaria a evoluir como um jogador de futebol. Senti que eu precisava de uma mudança na minha vida.

Família em perigo

Tomei a decisão, mas não entendi as consequências, e algumas semanas depois a polícia vigiava a casa dos meus pais para proteção a eles.

Informação vazada antes da final Bayern x BVB


Eu não sei quem deixou isso vazar para imprensa. Certamente não fui eu. Essa era a última coisa que eu queria. Mas obviamente, o "timing" foi terrível. Dois dias antes de jogarmos contra o Real Madrid na semifinal da Champions League, chegou a notícia de que eu sairia para o Bayern.

Depressão na Copa do Mundo de 2014


A vida é estranha. As pessoas falam sobre aquela Copa e o meu gol na final, e eu acho que elas se esquecem o quanto aquele torneio foi ruim para mim até o último momento. Agora, todos se esquecem de que eu fui substituído no intervalo do jogo contra a Argélia nas oitavas. Mas eu não esqueço. Eu não comecei nas quartas de final contra a França. Não joguei a semifinal contra o Brasil. Eu gostaria de poder dizer que era maduro quanto a isso, mas eu provavelmente fiquei mais triste do que em qualquer outro momento na minha vida. Não havia nenhum lado postivio para mim. Antes da final, eu estava realmente depressivo

Antes da final do Mundial no Brasil


Não era possível saber o que viria a acontecer. Eu nem esperava entrar naquela final contra a Argentina. Para mim, o gol é a parte menos importante daquilo. Chutar a bola... já havia feito isso centenas de vezes. O gol é uma consequência da decisão que tomei no quarto do hotel, de parar de ficar triste com o que havia acontecido e focar em treinar muito antes da final.

A final da Copa 2014


O gol marcado foi sorte. O técnico poderia não ter me colocado no jogo, poderia ter usado outro jogador. André Schürrle poderia ter decidido não cruzar aquela bola para mim, ele mal estava olhando. O meu chute poderia ter saído errado, um metro para a esquerda ou para a direita. O goleiro poderia defender. Quando bati no meu peito, talvez fosse uma mentalidade negativa. Talvez eu não tivesse acreditando. Talvez isso nunca pudesse ter acontecido. Existem milhões de cenários diferentes em que não sou eu quem marca o gol que conquistou a Copa do Mundo no Maracanã.

A estreia pelo BVB com Klopp


Jürgen Klopp me chamou do banco de reservas aos 43 minutos do segundo tempo para a minha estreia. Imagine, 17 anos de idade. Foi loucura. Me levantei do banco e corri, olhei para Muralha Amarela com todos aqueles torcedores. E, sinceramente, estava tão nervoso que achei que poderia sujar minha calça antes de colocar o pé no gramado. Tenho que agradecer a Klopp por essa chance. Esse foi o começo da história.

Mais da relação com Klopp


Quando eu tinha 17 ou 18 anos e não dava 100% nos treinos, ele era muito intimidador. Ele costumava vir correndo até a minha direção e começava a gritar comigo. Eu não consigo traduzir perfeitamente do alemão, mas vocês sabem como ele falava, com os dentes afiados: ‘Você tem que ter mais paixão! Você tem que dar tudo! P****! Vamos!’. Então, depois do treino, ele ficava completamente calmo de novo, e vinha do meu lado dizendo: ‘Mario, como você está? Vamos falar sobre a vida. O que está acontecendo?'

Doença metabólica

Nós somos seres humanos. Recebi um golpe muito duro depois da Copa do Mundo. Nos dois anos seguintes, comecei a ter muitos problemas com a minha forma física. Eu estava treinando muito por causa de todas as expectativas, e eu estava com muita dor. Eu realmente não entendi o que estava acontecendo. Eu estava realmente cansado e meu corpo parecia estar quebrando. Eventualmente, eu fui diagnosticado com um distúrbio metabólico e muitas pessoas estavam dizendo que seria o fim da minha carreira.

Reabilitação


Eu tive que reabilitar e mudar de estilo de vida por alguns meses para que eu pudesse me recuperar, e de certa forma foi uma coisa boa para mim. Você nunca quer passar por um problema de saúde, mas, por outro lado, toda a minha vida era futebol desde os oito anos de idade. Mesmo ganhando a Copa do Mundo... vai parecer estranho, mas eu quase não voltei para os gramados. Saí de férias por três semanas e então voltei para o Bayern. E foi como se nunca tivesse acontecido. Foram mais expectativas, mais títulos, mais gols.

A volta para Dortmund


A melhor decisão que tomei foi voltar para Dortmund. Muitas pessoas que estavam com raiva no momento em que eu saí, me receberam de volta, o que eu aprecio muito. Eu era um Judas, depois um herói, depois uma decepção. Eu estava quase saindo do futebol, tudo isso em apenas quatro anos.

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